BONECOS DE SUCATAS

Se você viu o filme Toy Story 4 (Disney/Pixar, 2019) conhece o Garfinho, personagem criado pela menina Bonnie, na escola, usando materiais como papel, cola, tesoura e um talher descartável. Não vou contar a história aqui, mas posso dizer que me apaixonei pelo personagem, criado pelo animador brasileiro Claudio de Oliveira, com o suporte da filha de três anos.

Assim como a menina Bonnie, desde a infância, lá em casa, fomos inspirados a criar nossos brinquedos e brincadeiras, mas a gente cresce e acaba “esquecendo” no baú das lembranças muita coisa boa. Mas também não é sobre essa época mágica da nossa existência que quero compartilhar hoje.

O Garfinho me conduziu às lembranças de uns 10-12 anos atrás, quando meu filho mais velho começou a comer "porcarias" (alimentos processados ou ultraprocessados). Ficava olhando para as embalagens e, na maioria das vezes, simplesmente não conseguia descartá-las no lixo comum. Elas eram resistentes, tinham um apelo estético e eu ficava olhando e pensando como poderiam ter uma segunda chance.

Assim, depois de algumas tentativas pouco sucedidas de fazer cabeças leves e sustentáveis, nasceram os primeiros bonecos de sucata. Vieram de uma mistura de embalagens plásticas, meias velhas (as famosas bocas de sapo), alguns materiais que já tinha em casa e, infelizmente, bolas de isopor para rechear a cabeça, quando não achava embalagens mais adequadas. Nascidos como brinquedos para as crianças da família, os bonecos de sucata foram conquistando espaço e já não poderiam ser apenas agentes de alegria e diversão.

Com eles, vieram oficinas para os amigos e colegas dos meus filhos e a responsabilidade de apresentar junto com a criação uma proposta de educação ambiental, sustentabilidade e consumo responsável. Pelas contas do primogênito, já foram mais de 500 bonecos gerados durante a década, espalhados pelo Tocantins, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Os bonecos de sucata têm um valor sentimental para mim. Eles materializam a parte boa e ruim do nosso modelo econômico – há um excesso de resíduos produzidos junto com tudo o que consumimos (especialmente embalagens dentro de embalagens), nem tudo o que parece “lixo” é de fato lixo e reaproveitar é possível (e preciso!).

Precisamos olhar com generosidade para os resíduos que produzimos e tentar aplicar os 5 Rs da Sustentabilidade (repensar, reduzir, recusar, reutilizar e reciclar) em todo o tipo de consumo que fizermos. Coisas incríveis nascem tanto da abundância quanto da escassez e, em se tratando da produção industrial da nossa época, há, sim, muita abundância que pode ser promovida ao status de solução, com o reaproveitamento adequado, deixando de ser um grande e insolucionável problema ambiental.

Práticas enviadas por Andréa Luiza Collet.

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